quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Estado nega pedido de família e autoriza transfusão de sangue em jovem testemunha de Jeová


Desde o último sábado (14), os médicos da Unidade de Emergência do Agreste, em Arapiraca (AL), vivem um dilema para salvar a vida de uma jovem de 18 anos que foi atropelada em Piaçabuçu, litoral sul do Estado. Adepta da religião Testemunhas de Jeová, a adolescente apresenta quadro de traumatismo craniano com perfuração e uma acentuada anemia.
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Para os médicos da unidade, a conduta ideal seria a transfusão de sangue para estabilizar a pressão sanguínea. O problema é que os pais da jovem pediam para vetar o procedimento, alegando convicções religiosas.

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Como o caso ganhou repercussão no Estado, a Secretaria de Estado de Saúde, mantedora da unidade, resolveu tomar uma decisão polêmica: determinou que os médicos adotassem os procedimentos necessários, independente do consentimento familiar.

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Antes da decisão, a família chegou a encaminhar um medicamento que ajudaria o corpo da jovem a produzir sangue, substituindo a transfusão. Mas segundo os médicos, o remédio não teve o efeito desejado e o estado de saúde da paciente se agravou.

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Em nota publicada na noite desta quarta-feira (18), a secretaria informa que, "em função do quadro clínico desta paciente adotará os procedimentos médicos necessários para assegurar sua evolução, mesmo que esta tenha que ser submetida a uma eventual transfusão sanguínea, alheia ou não à vontade da família".
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Segundo o último boletim médico, a jovem segue internada em estado grave, mas estável. Em contato com o UOL Notícias nesta quinta-feira (19), o diretor administrativo da Unidade de Emergência, Paulo Roberto, não quis revelar se houve transfusão de sangue na paciente na noite de ontem ou na manhã de hoje, mas assegurou que a conduta médica indicada pelos profissionais está sendo cumprida à risca.
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"Existe resolução do CFM [Conselho Federal de Medicina] liberando os médicos para transfusão em casos de risco iminente de morte. A paciente é maior de idade e só ela poderia decidir. Mas como ela está em coma, mesmo que exista um documento assinado por ela [como afirma a família], que até agora não nos foi apresentado, iríamos adotar as condutas médicas aconselhadas. Quando ela acordar, terá conhecimento dos procedimentos que foram realizados. Até lá, tudo será sigiloso", informou, citando que a Constituição "garante direito à vida independente da cor, raça, credo ou religião".

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Família descarta ir à Justiça

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A família da jovem não quis conversar com a imprensa, mas o ancião das testemunhas de Jeová em Arapiraca, Jailton Vieira, falou em nome dos parentes e explicou que a mãe da jovem não pensa em ingressar na Justiça para evitar ou mesmo processar os médicos e o hospital que realizaram a transfusão. "Nosso objetivo não é de ir ao confronto com juiz. Não levaremos o caso à Justiça em hipótese alguma. Se um juiz quiser obrigar, e o médico quiser fazer, é um problema deles. Mas nós temos direito de negar. Como ela está inconsciente, a mãe tem a tutela e informou que não permitiria a transfusão", explicou.

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Vieira disse que existem tratamentos alternativos ao uso de sangue e que a jovem estaria respondendo bem ao remédio que lhe foi dado no hospital. "Nós defendemos a vida, mas dentro daquilo que é empregado por Deus. Nós não queremos morrer sem direito a um atendimento, tanto que existe uma comissão de integração com os hospitais, com mais de 60 médicos, que defendem tratamentos alternativos sem uso de sangue. Essa comissão enviou ao hospital a eritropoetina, substância que ajuda a medula a produzir hemácias. Ela está reagindo", defendeu.

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Segundo Vieira, qualquer seguidor testemunha de Jeová deve carregar consigo uma declaração pedindo que não haver transfusão. "Nós [adeptos] assinamos essa declaração e portamos esse documento em nossas carteiras, que pede para que não se aplique sangue. Como foi um caso urgente, não sabemos se ela portava esse documento, mas a mãe já se manifestou", declarou o ancião, que acredita que a jovem é vítima de preconceito. "Se uma pessoa pedisse para não receber sangue, mas não fosse testemunha de Jeová, não teria essa repercussão".

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Vieira afirmou ainda que a religião não aceita a transfusão por "preferir a palavra de Deus à palavra dos homens". "A Bíblia fala explicitamente da proibição do uso do sangue. Há trechos que falam explicitamente que os crentes não devem fazer uso do sangue, assim como devem evitar a idolatria e o sexo antes do casamento", finalizou.

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Especialista critica tratamento alternativo

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O médico hematologista e presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas, Wellington Galvão, afirmou que a medicação levada pela família não substitui a transfusão. "De jeito nenhum. Esse remédio estimula a medula a produzir mais sangue, mas isso demora. E em uma paciente que está politraumatizada, o organismo não vai dar resposta", explicou.

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Segundo ele, o médico de plantão na Unidade de Emergência no domingo chegou a ligar para ele e questionar o dilema. "Disse a ele: faça. Mas ele ficou receoso da pressão familiar e não fez. Mas na minha experiência de 24 anos como médico, já fiz várias vezes em pacientes graves, independente da família aceitar. Respeitamos a convicção religiosa, mas para nós, médicos, o que vale é salvar as vidas", afirmou.

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Falando como representante da categoria, Galvão assegurou que o departamento jurídico do sindicato já foi acionado para defender o profissional que realizar o procedimento à revelia familiar. "Acredito que nenhum juiz do mundo condena médicos por isso", disse.
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Fonte: Uol Noticias

4 comentários:

Bianca disse...

Quer dizer que um "dogma" é mais importante que a vida de alguém..??
É triste, mas mtas pessoas estão cegas e presas na religão a chegar a esse ponto.

=) Benção seu blog..
tô seguindo!
Abraços

Júnior Rubira disse...

Olá, estou aqui para visita-lo, desde já lhe parabenizo por este trabalho, e quero convidá-lo para que conheças o meu blog:

Blog Espada do Espírito
www.blogespadadoespirito.blogspot.com

Seus comentários são bem-vindos, e gostando, será um prazer tê-lo como seguidor, esteja a vontade para postar, o espaço também é seu!

Aguardo sua visita, Deus te abençoe!

Júnior Rubira

Laudinei disse...

As Tjs seguem a risca os ensinos ( Ou melhor: as determinações)do seu Corpo Governante sem ousar questiona-los afinal para as TJs o Corpo Governante é o canal de comunicação de Deus.
Por isso nem lembram que no passado, a exemplo da transfusão do sangue, as Tjs eram proibidas de receberem vacinas e transplantes (considerado canibalismo).
Isso mudou de repente, e nunca foi pedido desculpa as vitimas.
Ainda sobre o sangue o tal corpo governante faz uma salada de frutas sobre suas frações. algumas proibidas e outras liberadas.
Pobres TJs....


Laudinei
http://exemplobereano.blogspot.com

ROMILSON disse...

A QUESTÃO CENTRAL NÃO É RELIGIOSA - E SIM DE DIREITO INDIVIDUAL. AFINAL DE CONTAS O CORPO DE UM CIDADÃO É PROPRIEDADE DE QUEM? DO ESTADO, DOS MÉDICOS OU DO INDÍVIDUO? É O INDÍVIDUO QUE DETERMINA (INDEPENDENTE DE SER RELIGIOSO OU ATEU ) O QUE DEVE OU NÃO SER INTRODUZIDO OU RETIRADO DO SEU CORPO. A QUESTÃO É: UM MÉDICO DEVE TER DIREITO ABSOLUTO SOBRE O CORPO DE UM INDIVÍDUO? SE ISTO FOSSE LEGAL, PODER-SE- IA RETIRAR ORGÃOS DE FALECIDOS CONTRA A VONTADE PRÉVIA DO MORTO OU DA FAMÍLIA PARA' SALVAR' OUTRAS VIDAS. NÃO É O 'CRM' E SIM A CARTA MAGNA QUE DETERMINA DIREITOS INDIVIDUAIS DE PROPRIEDADE DO CORPO. VALE LEMBRAR QUE METADE DOS CATÓLICOS NO BRASIL SÃO CONTRA O USO DE MEDICAMENTOS E TRATAMENTOS A BASE DE CÉLULAS TRONCAS EMBRIONÁRIAS. ESTES QUE SÃO CONTRA TAL USO (CERCA DE 65 MILHÕES) TERÃO O SEU 'DIREITO DE RECUSAR' ESTE TIPO DE TRATAMENTO VIOLADOS POR EQUIPES MÉDICAS (NA MAIORIA CATÓLICOS) QUANDO ESTES PRESUMIREM QUE TEM O DIREITO DE INTRODUZIREM ALGO NO CORPO DE UM INDIVÍDUO CONTRA A SUA PRÓPRIA VONTADE? DUVIDO QUE ESTE ABUSO E VIOLAÇÃO OCORRA NESTAS CIRCUNSTÂNCIAS. DIREITO DE PROPRIEDADE DO CORPO É INALIENÁVEL. É IMPRESSIONANTE COMO A MÍDIA, IMPRENSA, E JUÍZES DE PRIMEIRAS INSTÂNCIAS - NA MAIORIA TAMBÉM CATÓLICOS, DISTORCEM OS FATOS (A JOVEM ACIDENTADA E A FAMILIA RECUSAM 'APENAS' UM TIPO DE TRATAMENTO) E IGNORAM O DIREITO DE PROPRIEDADE INDIVIDUAL DO CORPO, DIREITO DE ESCOLHA DE TRATAMENTO MEDICINAL, QUANDO SE TRATA DESSE PEQUENO GRUPO DE CIDADÃOS VALOROSOS.