sábado, 24 de janeiro de 2009

O teto caiu!!!


Diante do fato exposto, desejo propor aqui algumas reflexões acerca desta tragédia. Li, na internet, inúmeros artigos e comentários pelos quais se afirma,cabalmente, que o desabamento do teto da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, em 18 de janeiro de 2009, foi um juízo divino, por conta dos pecados cometidos pelos seus líderes — julgados e condenados pela justiça norte-americana, depois de tentarem entrar com dinheiro não declarado nos Estados Unidos. De fato, eu não descarto essa possibilidade, uma vez que a Palavra de Deus prevê julgamento dos líderes das igrejas e de seus membros, nos casos de rebeldia e ou apostasia (Ap 2.5,16,20-22; 3.3,16; Pv 28.13; 29.1).

Eu observo que muitos membros dessa igreja estão percebendo que alguma coisa está errada. Outrora encantados com a ousadia, o carisma e a versatilidade dos seus líderes, agora estão decepcionados. Por quê? Primeiro, porque, depois que começaram as perseguições (desencadeadas por erros da própria liderança da igreja), um lado idolátrico da igreja tornou-se patente. Bispos e membros se tatuaram com inscrições do tipo “Sou Renascer até morrer”, não observando o que está escrito em Apocalipse 2.10.Outro fator que tem levado alguns crentes da Renascer a se decepcionarem com a igreja é o fato de os líderes se considerarem acima do bem e do mal. Isso ficou evidente a partir do momento em que eles — depois de tentarem ludibriar as autoridades norte-americanas, entrando com dólares não declarados naquele país — não reconheceram o seu erro. Pelo contrário, preferiram dizer que estão sendo perseguidos pela causa do evangelho.

Mas não é só isso. Antes de toda essa avalanche, os líderes da Renascer haviam adotado um tríplice liberalismo. Primeiramente, o liberalismo teológico, ao distorcerem a Bíblia no que tange à correta tradução do seu texto original, bem como na interpretação da sua mensagem. Também abraçaram o liberalismo eclesiástico, adotando inovações descabidas, abusivas e antibíblicas na condução das igrejas e na sua liturgia. E também, desde o início da igreja, o liberalismo consuetudinário, que na prática é a abolição, violação, supressão dos bons costumes, da boa compostura, da boa postura segundo a ética, como reflexo da sã doutrina da Palavra de Deus.


Por ironia, digo isso com tristeza, a pregação triunfalista dos líderes da Renascer e a sua teologia da prosperidade agora depõem contra eles. Eu acredito que, para um membro dessa igreja — acostumado a ouvir clichês “proféticos”, como “2009 é o ano de muitas vitórias e prosperidade” ou “Este é o ano apostólico em que todas as bênçãos serão derramadas sobre a sua vida” —, é muito difícil aceitar essa terrível tragédia da noite de 18 de janeiro sem revoltar-se. Afinal, ela ocorreu logo no primeiro mês de “O Ano Apostólico de Davi”.Outra reflexão. Ouço pregadores e cantores dizendo que o crente que tem promessa não morre. Pergunte aos crentes, em um culto, se eles têm promessas. Todos levantarão as mãos.

E aqueles irmãos da Renascer que partiram para eternidade certamente acreditavam ter promessas... Também ouço expoentes triunfalistas afirmando que o crente não morre de forma violenta. Que engano! Embora os anjos do Senhor estejam acampados ao nosso redor para nos proteger (Sl 34.7), isso não significa que sejamos imortais ou que possamos escolher a maneira como partiremos para a glória.Não cabe a nós dizer que as vítimas fatais da tragédia em apreço estavam em pecado contra Deus, em razão do tipo de morte que experimentaram. Isso é incorrer em erro, cometendo o julgamento calunioso constante de Mateus 7.1,2. Ademais, Deus não estabelece a maneira como os seus servos morrerão; e nós, conquanto salvos, não somos à prova de bala e imunes a tragédias.

De acordo com Hebreus 11, os santos do Antigo Testamento, pela fé, venceram reinos, fecharam bocas de leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, etc. Mas, por outro, também, pela mesma fé, foram torturados, mortos ao fio da espada, andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (vv.33-37).O que nos torna diferentes das pessoas do mundo, nesse caso? A nossa certeza de que pertencemos ao Senhor, quer nesta vida, quer na eternidade (Fp 3.20,21; 1 Jo 3.1-3).

Sabemos que Ele está no controle de todas as coisas. Não podia Deus ter livrado da morte o santo Estêvão e os milhares de cristãos, martirizados no período das perseguições imperiais? Na verdade, enquanto Ele contar conosco nesta passageira vida, teremos oportunidade de evangelizar, desempenhar o ministério que Ele nos outorgou, cuidar da nossa família, da nossa profissão... Mas nunca nos esqueçamos de que somos peregrinos e forasteiros (1 Pe 2.11). Estamos hospedados nesta Terra (Hb 11.13).

Bem, quanto aos amados irmãos falecidos neste caso e seus familiares...não podemos esquecer do que está escrito em 1 Tessalonicenses 4.16-18:

“... os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras”.Tragédias envolvendo evangélicos às vezes acontecem. Afinal, a despeito de o Senhor Jesus ter todo o poder para nos proteger do mal (Sl 91), Ele também nos avisou de que no mundo teríamos aflições (Jo 16.33). Não somos derrotados, em definitivo, com a morte; sempre somos vitoriosos, em Cristo (Rm 8.37-39; 1 Co 15.51-58). E as aflições deste tempo não se comparam com a glória que em nós há de ser revelada (Rm 8.18). Aleluia!

5 comentários:

José Mário disse...

Acho um absurdo que, ao invés ansiarmos pelas "marcas de Cristo", alguém queira as "marcas organizacionais"... "... eu sou de Paulo, eu de Apolo...." Com relação ao desabamento , creio ter sido uma fatalidade... espero que realmente os administradores de igrejas estajam preocupados na manutenção predial de seus templos, não só com "embelezamentos".
Paz de Cristo

Andre disse...

Que vergonha! Os crentes enriquecem seus lidere$ com seus dízimos e ofertas e estes lidere$ aindam deixam o teto cair em suas cabeças. Que os sobreviventes reflitam neste paradoxo.

Anônimo disse...

Concordo em genero e grau com esta postagem
Quero tambem deixar os meus sentimentos para as vitimas
Mas gostaria agora de saber qual a desculpa teologica ou melhor telogogica que eles vao inventar para justificar sua falsa teologia!

Pr.Newton disse...

Tristeza! Eu senti muita tristeza em meu coração.

Parece incrível, o teto desabou por completo, mas....mais incrível, foi verificar os comentários dos leitores do Jornal o Globo. A falta de sensatez, equilíbrio e conscientização, tomou conta da quase maioria.

O que ocorreu, foi um acidente lamentável. O alvo atingido eram vidas de, parentes, vizinhos, brasileiros ou não, pessoas de bem, vidas em busca de momentos com a música, a oração, e acima de tudo, desejosos em adquirir uma vida melhor, em busca de uma felicidade, que não será encontrada nesta terra. Felicidade esta, agora em mãos de alguns que morreram esmagados, quem sabe pelo desleixo dos organizadores desta igreja, pelo desprezo das autoridades do governo, ou pela própria vontade de Deus. Afinal, morrer em Deus e com Deus, permite o encontrar com o prêmio maior, resultado do perdão dos pecados e a certeza de salvação em Jesus Cristo.

Vidas se encontraram com Deus, e deixaram mais uma dúvida, sobre o tratamento de Deus, não somente dado aos crentes, mas, aos incrédulos. Muitos foram soterrados pelo teto sobre o seu corpo, e muitos foram soterrados pelas afirmações que li, escritas, por quem, não sabe sentir amor por estes, que perderam seus familiares.

Os sentimentos nestes comentários, garantiram aos acidentados, uma culpa, quase que de terroristas e desumana por parte de flamigerados, cheios de ódio à tudo o que se proclama evangélico.

Muitos sentiram o desejo de ajudar, sentiram agonia pelos acidentados. Existe um Brasil amargo de coração, que escreve maldades e provocações, bem como, um Brasil repleto de seres, com as mãos estendidas para abençoar aos feridos neste trágico acidente.

Eu senti, o meu coração apertar e uma insônia, que assolou a minha noite, na preocupação das vidas acidentadas, e muito também, pelos comentários que debochavam, zombavam, e neste momento, percebi que muitos estavam com o mesmo espírito de Hitler.

A alegria destes escritores às escondidas, com certeza, chegou aos céus, e provocaram a ira de Deus, em seu cortejo fúnebre com palavras hediondas e mal direcionadas.

É meu desejo, que as lideranças, exerçam o seu ministério, sem causar vergonhas e mais vergonhas aos crentes verdadeiros, que aguardam o GRANDE DIA. É hora de vigiar. É chegado o momento da perseguição de verdade.

pr. Newton Carpintero
www.pastornewton.com

Deus é Fiél- Felipe disse...

A paz para todos

De fato, sentimos um profundo pesar com esse acontecimento. Afinal, como disse o PR. Newton, eram pessoas que ao final de um dia, buscavam refrigério para suas almas com cânticos, orações e adoração ao nosso Deus. Mas sabemos também que eles não estão perdidos em outra galáxia, ou num purgatório... Estão no seio de Abraão descansando na paz do nosso Senhor!

Fica assim, um trecho de uma música regrava pelo cantor PG:
"Eu sou como um vento passageiro que aparece e vai embora, como gota no oceano, assim como um vapor"

Lembremos que não existem "SuperCrentes", com super poderes e super milagres, como é de costume das igrejas neopentencostais aludirem, mas sim, vaso nas mãos do oleiro!

A paz a todos